segunda-feira, 31 de março de 2014

Como o Pai nos chamaria??


Confesso que fico muito desconfortável quando alguém me chama de Pastor após uma reunião em que eu tenha compartilhado a Palavra. Logo, silenciosamente, penso: eu não sou Pastor! Por educação ou por constrangimento jamais contrario ou argumento, mas isso é algo que me inquieta demais. Pastor é quem tem o chamado vocacional e se dedica exclusivamente para cuidar do rebanho de Deus. Não pode ser um título banalizado, não pode ser uma improvisação, tampouco uma imposição "profética".

Nesta esteira e devido ao efervescente momento evangélico no Brasil, ganha espaço o deslumbre de algumas pessoas que enxergam no ministério a possibilidade e a chance concreta de obterem um título, que muitas vezes não tiveram no campo profissional e, consequentemente, uma oportunidade de amealhar recursos e louros da fama com a pregação do Evangelho. Motivo pelo qual, em cada esquina temos um templo, onde pessoas dissidentes de outro ministério que se autodenominam Pastores, Pastoras, Diáconos, Apóstolos, Bispos, Missionários, obreiros, intercessores, líderes e tantos outros cargos eclesiásticos que variam com a capacidade criativa  e interpretativa da Bíblia ou Visão. São os "profissionais" da fé.

Não quero dizer com isso que a formação é o que autentica o chamado vocacional. Jesus não se formou em teologia. Pedro era iletrado e em seu primeiro discurso houve mais conversões do que muitos pregadores irão conseguir ao longo de seus ministérios. Mas, a pressa e o desejo de ser reconhecido eclesiasticamente com cargos e funções tem ofuscado muitos servos de bom coração. Pastoreio é coisa séria; Fazer missão e ensinar a outros também.

Pela misericórdia do Pai, eu desejo ser usado com a Palavra de sabedoria, sem necessariamente ser chamado de Mestre. Pastorear pequenos rebanhos sem ter o "Pr." antes do meu nome. Ser usado para profetizar e falar segundo a vontade de Deus, sem que haja um banner na fachada gerando uma expectativa porque um "profeta" irá ministrar. Quero fazer missão entre o meu povo, no meu país e nas nações sem correr atrás do título de Missionário. E, pela graça que excede ao merecimento deste pecador, ajudarei a plantar igrejas sem ser chamado de Apóstolo. 

- Leandro, filho amado! Essas são as palavras que um dia eu gostarei de ouvir do Pai. 

Mais uma vez, aprendo com Paulo que após sua conversão serviu com os discípulos em Jerusalém e foi enviado para uma geladeira ministerial em Tarso, até que Barnabé foi ao seu encontro. Não temos relatos de chiliques, nem crises existenciais neste tempo de espera. Não o vejo reivindicando cargo ou título, mas o vejo aguardando prudentemente a confirmação do seu chamado. O tempo passa, ele faz viagens, continua construindo suas tendas, prega o evangelho aos gentios, planta igrejas, escreve metade do Novo Testamento, e no final da caminhada, intercedendo a Filemon por Onésimo, ele se intitula Paulo, o Velho.

Com tantos adjetivos e tantos apostos a sua disposição, ele escolhe ser chamado de Velho. Já na nossa cultura tropicalizada, concedemos a ele os títulos de São Paulo e Apóstolo Paulo.  Ou seja, ainda agimos como os israelitas que não sossegaram enquanto não tiveram um rei, e ganharam Saul de presente. E ainda temos o mesmo espírito de Saul que tem vontades e desejos de ser aquilo para o qual não foi chamado e estraga o chamado que de fato era seu.

Como Deus nos chamaria? Será que ele pensa nos títulos e apostos que criamos e corremos atrás aqui da terra?

Leandro Lopes Barbosa (Sem pronome de tratamento ou aposto)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Terapia da madrugada: No fundo, o errado sou eu!


Confesso que ando meio abusado, e escrever tem sido uma válvula usada, às vezes, sem moderação. No meu processo infinito de autoanálise, descobri que o problema está em mim e não nos outros e que isto não é  um fato novo. Tenho uma dificuldade enorme de adaptabilidade e isso tem feito eu sofrer demais ao longo da minha existência.

Acredito que no berçário eu já tenha causado confusão com os bebês que chegaram depois de mim e isto tem sido algo recorrente na minha indisposição com os que "invadem minha praia". Foi assim na infância, na escola, na adolescência e tem sido assim na vida adulta: de novo, uma questão mal resolvida de adaptabilidade!

Eu não tenho problema com as pessoas, desde que seus hábitos sejam semelhantes aos meus. Mas, como explicar meu sentimento com quem ouve som alto com tampa de carros levantadas, bebendo e dançando na beira da praia? Na hora sinto um desejo tão grande que aquelas pessoas nunca tivessem tido acesso à "minha" praia. Estou errado? Eu acho que sim. Afinal de contas essa é a tal pluralidade e a democracia onde todos devem ter acesso a tudo.

Às vezes soa meio elitista, mas no fundo não tem a ver com condição financeira é apenas uma questão de identificação com o grupo mesmo. Por exemplo, para mim final de semana é proibido ir a Shopping Center, pois não consigo aceitar os emos, que representam uma juventude de preto, quase como uma legião sem rumo que entulham esses ambientes, bem como pessoas que fazem desses lugares a extensão das suas casas. De novo, o problema está em mim. Eles representam um grupo moderno e atual, no qual eu não consigo me adaptar.

Para o meu azar e para aumentar ainda mais meu sofrimento, sou uma geração antiga de nerd. 

Comecei a mexer com internet em 1993. Era um reduto extremamente técnico e nos diferenciávamos dos seres normais, pois tínhamos mirc, icq e tantas outras coisas que ninguém jamais chegava perto. Hoje, até a minha bisavó -se fosse viva- teria um perfil no facebook. Como explicar meu sentimento? Perdi totalmente meu espaço. Tal qual os médicos brasileiros com a vinda dos cubanos, senti que mexeram no meu queijo. Isso que incomoda, mas o errado sou eu.

Sinceramente, para mim, tá bem mais chato viver. Já não sinto mais o cheiro da terra molhada, não brinco mais de guerra de cinamomo e ainda por cima tenho que ver crianças e adolescentes debatendo política, sexo e religião na minha timeline. Convivo com as correntes de mensagens de gatinhos, beagles, pessoas mutiladas e toda sorte de chateação de direita e de esquerda. Sem falar dos que teimam em ser politicamente corretos. Mas, novamente, o mala sou eu. Eu sei!

Acho que tô ficando velho, chato, ranzinza e rabugento. Deveria ser bem mais acolhedor, mas não consigo. Deveria promover a inclusão digital, mas no fundo queria uma rede social somente para os meus pares de afinidade, sem causar constrangimento para mais ninguém. Mas, seguramente eu estaria sendo muito errado.

Querer que todas as pessoas vejam o mundo com as minhas lentes é definitivamente um erro sem tamanho. Me assusto quando  lembro que Hitler, Mussolini, Fidel e Zé Dirceu pensavam dessa maneira também. Então me pergunto, o que fazer para conviver com tanta gente diferente de mim? Ou eu fundo uma colônia, crio uma ceita e vamos morar todos em um único reduto, ou acabo por vez tendo de me adaptar ao meio. 

E neste processo de adaptação vou ter que andar de braços dados, ideologicamente falando, com o 
"revolucionário" que acredita que um grupo bater em um Coronel da PM é muito diferente de um grupo de PMs torturar o Amarildo. Vou aceitar a sua inconformidade com o lucro dos banqueiros e os seus atos belicosos, esquecendo que o mesmo banqueiro "banca" as campanhas dos nossos ilustres governantes que são seus ícones de moralidade.

Ops, quase tive uma recaída e extravasei de novo minha intolerância com os modernos tolerantes.

Num estado avançado de aceitação plural, vou achar que no fundo haverá de existir boa intenção e que as pessoas não são tão hipócritas assim. Elas se aceitam, se respeitam e se amam e que o preconceito está em mim.

Quando um liberal acusar o evangélico ou o pastor de subtrair dízimos e ofertas, vou abstrair que ele mesmo pede tolerância aos seu direito de dar o que bem entender para quem bem entender (sem 
conotações pejorativas, por favor). De outra sorte, quando a intolerância trocar de lado, vou relevar que deveriamos representar Jesus Cristo e toda a expressão de amor nesta terra. Afinal de contas, as pessoas se amam e se respeitam, mas a intolerância brota em mim e é a ela que eu devo combater.

E por fim, vou parar de escrever nas entrelinhas, onde corro o risco de ser mal interpretado, odiado e difamado. Vou ter um espaço para falar de amenidades, futilidades, de gatinhos e de tigres de bengala, e acharei tempo para passear com a família, ir ao zoológico, praticar mais esportes e ter mais momentos relax de rush no meu carro, ouvindo música e curtindo o meu governador. A propósito, talvez seja apenas a semântica, o seu timbre de voz ou o seu gauchismo exacerbado que me causem certa irritação. Nada a ver com sua estratégia maniqueista de querer defender um sistema político corrupto e viciado. Talvez isso tudo fosse apenas mais uma paranóia minha. É, talvez! 

"Será que eu falei o que ninguém ouvia? Será que eu escutei o que ninguém dizia?.....Não vou me adaptar."













sábado, 19 de outubro de 2013

Só por hoje...

Só por hoje não quero falar. Não quero escrever e não quero influenciar. Só por hoje não quero destilar meu fel, derramar meu mel, nem brincar com as palavras. Só por hoje não quero ironizar, nem ser ironizado. Só por hoje quero todo o silêncio do universo para poder ouvir o canto dos pássaros, o barulho das águas e a voz de Deus.